ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA – PARTE I

Posted in: noticias- Nov 13, 2018 Comentários desligados

ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA – PARTE I

Definição e Macronutrientes

A idade pediátrica é um período de grande vulnerabilidade, no qual a alimentação dever ser corretamente e cuidadosamente planeada. Na verdade, tanto na infância, como na adolescência, ocorre um desenvolvimento físico e cognitivo acelerado e são adquiridas competências sociais e comportamentais. Assim, torna-se fulcral garantir o cumprimento de todas as necessidades em macro e micronutrientes, assegurando um bom estado nutricional e de saúde e, consequentemente, evitando consequências negativas a curto e longo prazo.

O período dos 2 primeiros anos é crucial para evitar atrasos de crescimento estatuto-ponderal devido a suprimento nutricional insuficiente. Por outro lado, dos 3 aos 6 anos, bem como no período de diversificação alimentar durante o 1º ano de vida, é quando a criança aprende e desenvolve o comportamento alimentar, sendo que se pode evitar erros alimentares com consequências a longo prazo. Dietas muito restritivas nestas fases do ciclo de vida, exigem um planeamento mais cuidadoso, uma vez que quando excessivamente restritivas podem ser acompanhadas de desnutrição, atraso de crescimento e até morte infantil. Quanto mais restritiva a dieta e mais nova a criança, maior é o risco de défices nutricionais.

A alimentação vegetariana exclui carne e pescado, podendo apresentar algumas variações na exclusão de outros alimentos de origem animal. Desta forma, pode classificar-se como:

- Ovolactovegetariana – permite ovos e lacticínios;

- Lactovegetariana – permite lacticínios;

- Ovovegetariana – permite ovos;

- Vegetariana estrita e vegana – exclui todos os alimentos de origem animal.

Este tipo de alimentação, quando bem planeada, pode fornecer a energia e os nutrientes necessários para crianças e adolescentes de todas as idades. A alimentação deve ser completa, equilibrada e variada, incluindo alimentos como cereais, hortícolas, fruta, leguminosas, sementes e frutos gordos. É importante variar nos alimentos ingeridos de modo não só a garantir a satisfação das necessidades do organismo, como também a evitar a ingestão excessiva de substâncias prejudiciais à saúde. Também a proporção entre os diferentes grupos de alimentos deve ser mantida de acordo com as necessidades nutricionais de cada faixa etária.

As necessidades energéticas variam com o sexo, idade, estatura, peso e nível de atividade física. Em crianças e adolescentes saudáveis, as necessidades energéticas incluem o dispêndio energético necessário para o crescimento e a energia necessária para os gastos energéticos (metabolismo basal, termogénese induzida pela dieta e atividade física). Existem alguns alimentos energeticamente densos que podem auxiliar no cumprimento das recomendações energéticas, como as leguminosas (feijão, grão de bico, lentilhas…), frutos gordos (nozes, avelãs, amêndoas) e cremes deste tipo de frutos (como manteiga de amendoim ou de amêndoa). No entanto, segundo vários estudos, a ingestão energética de indivíduos vegetarianos não foi inferior à dos indivíduos que ingerem carne e peixe, existindo, contudo, um menor risco de excesso de peso entre a população vegetariana.

MACRONUTRIENTES

Em relação aos macronutrientes, a proteínafornece os aminoácidos necessários tanto para a síntese de proteínas durante o crescimento, como para algumas hormonas e neurotransmissores. Podem ser combinadas fontes proteicas de diferentes alimentos, no entanto não é necessário que esta ocorra em todas as refeições. As necessidades proteicas, em crianças e adolescentes veganos, podem estar aumentadas, acrescendo cerca de 3 a 10g de proteína por dia.

Relativamente à gordura, não existem recomendações de ingestão específicas para vegetarianos, já que com um aporte energético apropriado, a dieta irá fornecer a quantidade de gordura necessária. Todavia, é necessário atender no aporte de ácidos gordos essenciais ómega 3 e ómega 6, pois o organismo não é capaz de os sintetizar e estes são componentes estruturais das membranas celulares, precursores de mediadores lipídicos e ainda fonte de energia. De modo a adequar a ingestão destes ácidos gordos, a dieta deve incluir algas e microalgas (fontes de EPA e DHA) e alimentos ricos em ácido alfa-linolénico (ALA), tais como sementes e óleos de linhaça, chia, beldroegas, soja e nozes. Devem ser elegidos óleos alimentares com menor quantidade em ácido linoleico, como o azeite. Se a ingestão deste tipo de ácidos gordos não for suficiente, pode ser necessário recorrer a suplementação.

Quanto aos hidratos de carbono, também não existem recomendações específicas para crianças e adolescentes, podendo estes ingerir uma quantidade ligeiramente superior deste macronutriente, comparativamente com não vegetarianos. A ingestão de fibra é superior em crianças e adolescentes vegetarianos, podendo, em alguns casos, exceder as recomendações. Esta ingestão deve ser monitorizada e controlada, pois quando em excesso pode comprometer um aporte energético adequado (também pelo efeito de saciedade precoce) e ainda interferir com a biodisponibilidade de alguns minerais essenciais (como ferro, cálcio e gorduras), podendo até interferir com o crescimento da criança.

FONTES ALIMENTARES

-Proteína:lacticínios e ovos (se ovolactovegetariano), leguminosas e seus derivados, cereais integrais, pseudocereais (quinoa, amaranto e trigo sarraceno), frutos gordos, cremes de frutos gordos e sementes.

- Gordura:frutos gordos, sementes, abacate, azeite, óleos e cremes vegetais.

            AG essenciais: algas, microalgas, sementes e óleos de linhaça, chia e cânhamo, soja (e óleo de soja), nozes e beldroegas.

- Hidratos de carbono:cereais, tubérculos, fruta e leguminosas.

É essencial e de extrema importância que caso a criança ou adolescente opte por este tipo de alimentação, seja acompanhado por um nutricionista ou profissional de saúde. Adicionalmente, os pais/encarregados de educação e restante família, bem como a comunidade educativa, devem estar envolvidos e informados sobre este padrão alimentar, já que o seu planeamento correto e cuidadoevita riscos nutricionais que podem conduzir a consequências nefastas para a criança e adolescente.

REFERÊNCIAS

Amit M. Vegetarian diets in children and adolescents. Paediatrics & Child Health. 2010;15(5):303-308.

Pinho JP, Silva SCG, Borges C, Santos CT, Santos A, Guerra A, Graça P. Alimentação Vegetariana em Idade Escolar. Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável Direção-Geral da Saúde. 2016

Schürmann, S., Kersting, M. & Alexy, U. Vegetarian Diets in Children: a systematic review. Eur J Nutr (2017) 56: 1797. https://doi.org/10.1007/s00394-017-1416-0

Baroni, Luciana et al. Planning Well-Balanced Vegetarian Diets in Infants, Children, and Adolescents: The VegPlate Junior. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics , Volume 0 , Issue 0 ,

 

 

VEGETARIAN DIET – PART I

Definition e Macronutrients

Childhood is a period of great vulnerability in which feeding must be correctly and carefully planned. In childhood and adolescence there is a quick physical and cognitive development and are assimilated social and behavioral skills. Thus, it is crucial to ensure that all the needs in macro and micronutrients are achieved, assuring a good nutritional and health status and therefore, avoid negative consequences in short and long term.

The 2 first years are important to avoid stunting due to insufficient nutrition. On the other hand, during the age of 3 to 6 years and in the period of dietary diversification during the 1styear of life, the child learns and develops the eating behavior and can avoid eating errors with long-term consequences. Diets too restrictive in this phase of the life cycle require a more careful planning since this kind of diets can cause malnutrition, stunting and even child death. The more restrictive the diet and the younger the child, the higher the risk of nutritional deficits.

The vegetarian diet excludes meat and fish and can vary in the inclusion of other animal products. It can be classified as:

  • Ovolactovegetarian – allows eggs and dairy products;
  • Lactovegetarian – allows dairy products;
  • Ovovegetarian – allows eggs;
  • Vegan – exclude all animal products.

This kind of diet, when well planned, can provide the energy and nutrients needed to children and adolescents from all ages. The diet should be complete, balanced and diverse, including grains, vegetables, fruit, legumes, seeds and nuts. It’s important to vary in types of food in order to fulfill the body needs and to avoid the excessive intake of harmful substances. Also, the proportion of different food groups should be maintained according to the nutritional needs of each age range.

The energy requirements differ according to sex, age, height, weight and level of physical activity. In healthy children and adolescents, the energy requirements consider the energy expenditure from growing and the energy expenditure from resting energy expenditure, thermal effect of food and physical activity. There are some foods that are energetically dense that can help achieving the energy requirements, such as legumes (beans, chickpea, lentils…), nuts (walnuts, hazelnut, almonds) and nuts’ creams (like peanut butter and almond cream). However, according to some studies, the energy intake of vegetarians was not inferior to the non-vegetarian, although, also due to their healthier lifestyle, there is a lesser risk of vegetarians being overweight.

MACRONUTRIENTS

In macronutrients, protein provide the necessary amino acids for protein synthesis during growth and for hormones and neurotransmitter. To make sure that the diet includes all the amino acids it´s advised to combine protein sources from different foods although it’s not necessary to do that in every meal. The protein requirements can be higher in vegan children and teens, increasing around 3 to 10g per day.

In relation to fat there are no specific requirements to vegetarians since with an adequate intake, diet will supply the amount of fat required. Nevertheless, it’s necessary to pay attention to the essential fatty acids omega 3 and omega 6, because the body can’t produce it and they are structural components of cell membranes, precursor of lipid mediators and source of energy. The diet should include algae and microalgae (sources of EPA and DHA) and foods rich in alfa-linolenic acid (ALA) such as flaxseed oil and seeds, chia seeds, purslane, soy and walnuts. Vegetables oils with less amount of linoleic acid are preferred, like olive oil. If the intake isn’t enough, it may be necessary to supplement.

For carbohydrates there isn’t any specific requirement for children and adolescents, since vegetarians sometimes even have a higher intake of this macronutrient comparatively to non-vegetarians. Fibre intake is higher in vegetarian which might, in some cases, exceed the recommendations. This intake has to be monitored and controlled, because when in excess it might compromise an adequate energy input (because of the early satiety effect) and also interfere with the bioavailability of some essential minerals (such as iron, calcium and fat) and even with child growth.

 

FOOD SOURCES

-Protein:dairy products and eggs (if ovolactovegetarian), legumes, whole grains, pseudo cereals (quinoa, amaranth and buckwheat), nuts, nut butter and seeds.

- Fat:nuts, seeds, avocado, olive oil, vegetable oils and creams.

            Essential Fatty Acids: algae, microalgae, flaxseed oil and seeds, chia seeds and hemp, purslane, soy and walnuts.

- Carbohydrates:cereals, potatoes, fruit and legumes.

It’s crucial and very important that vegetarian children and adolescents are followed by a nutritionist or a health professional. Additionally, the parents and the family, as well as the educational community, must be well informed and evolved in this diet, whereas its correct and careful planning avoids nutritional risks that can lead to harmful consequences to the child and adolescent.

REFERENCES

Amit M. Vegetarian diets in children and adolescents. Paediatrics & Child Health. 2010;15(5):303-308.

Pinho JP, Silva SCG, Borges C, Santos CT, Santos A, Guerra A, Graça P. Alimentação Vegetariana em Idade Escolar. Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável Direção-Geral da Saúde. 2016

Schürmann, S., Kersting, M. & Alexy, U. Vegetarian Diets in Children: a systematic review. Eur J Nutr (2017) 56: 1797. https://doi.org/10.1007/s00394-017-1416-0

Baroni, Luciana et al. Planning Well-Balanced Vegetarian Diets in Infants, Children, and Adolescents: The VegPlate Junior. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics , Volume 0 , Issue 0 ,